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EXCLUSIVO: Repórter inglês Ben Hunt comenta GP da Bélgica e traz informações do mercado de pilotos

Atualizado: 1 de set. de 2021

Jornalista do The Sun opinou sobre as decisões da direção de prova durante o fim de semana em Spa e trouxe últimas apurações dos bastidores da Fórmula 1

Por Valentin Furlan — São Paulo

31/08/2021 16h38

Verstappen festeja vitória em Spa-Francorchamps após direção de prova declarar bandeira vermelha no Grande Prêmio da Bélgica — Foto: John Thys / AFP via Getty Images

Os fãs da Fórmula 1 ainda não digeriram por completo o polêmico final de semana na Bélgica. Por conta da forte chuva que atingiu o circuito de Spa-Francorchamps neste domingo (29), a corrida acabou tendo apenas duas voltas, sendo estas realizadas sob o guia do Safety Car, após três horas de atraso, distribuindo apenas metade dos pontos ao 10 primeiros colocados. A prova rendeu reações divergentes dos torcedores pelas redes sociais.

Apesar de pouca ação na pista, a 12ª etapa do Mundial 2021 rendeu uma quebra de recorde: foi a menor corrida da história da categoria, com apenas 14 km de extensão. Ainda, ficou muito marcada pelo primeiro pódio na carreira de George Russel e pela primeira vez da Williams dentro do top 3 desde o GP do Azebaijão de 2017. Na briga pelo título, o vencedor Max Verstappen diminuiu a diferença para o líder do campeonato de pilotos, Lewis Hamilton, que terminou o GP em 3°, para apenas três pontos.

Portanto, o Zona Mista entrevistou o jornalista do periódico inglês The Sun Ben Hunt, para detalhar os acontecimentos do último domingo. O repórter também antecipou movimentações dentro do mercado de pilotos, que prometem ser intensas rumo a 2022.

Leia abaixo a entrevista completa:

ZonaMista.net – O Grande Prêmio da Bélgica foi o mais controverso da história da Fórmula 1?

Ben Hunt – Não, tivemos corridas mais controversas que esta. Segurança é primoridial, então, apesar de ter sido frustrante e um pouco farsesco, não dá para dizer que foi o mais controverso.

Pilotos afirmaram pouca visibilidade na pista em função da chuva durante voltas de instalação — Foto: John Tuys / AFP via Getty Images

O que achou da decisão da direção de prova em convocar os carros à pista para realização das duas voltas que caracterizaram a corrida? Cancelar a sessão teria sido uma boa saída?

– Pensando agora, [a realização das duas voltas] seria uma boa, mas eu teria feito algo diferente. Eu teria realizado várias voltas com o Safety Car às 15h [na Bélgica; 10h no horário oficial de Brasília, momento previsto para a largada] para ter certeza da possibilidade de tirar a água da pista, ao mesmo pé em que se esperava uma melhora momentânea no tempo. Não fazer nada e ficar esperando e parando o relógio de contagem para a largada só serviu para aumentar a pressão que caía sobre eles mesmos para realizar a corrida.

Tocando no ponto da contagem regressiva para a largada: por que pará-la?

– Simples: ganhar tempo para realizar a corrida. Provavelmente, foi certa a movimentação para ganhar mais uma chance, mas só se eles [diretores de prova] realmente acreditassem que a chuva pudesse parar. Caso contrário, teríamos chego às 18h [13h de Brasília], a corrida seria cancelada e sol poderia ter saído. Isso teria sido ainda mais ridículo.

Você acha que o regulamento deixar de ser claro em alguns pontos? O GP da Bélgica acabou sendo uma vítima disso?

– Sem dúvida alguma. Todo mundo percebeu isso. Equipes, pilotos e torcedores ficaram sem entender nada. Tudo um pouco ridículo. O regulamento precisa de alterações.

Qual equipe ou piloto, na sua visão, mais se beneficiou pela chuva? Quem saiu mais prejudicado?

– Teve a vitória para o Max, que diminuiu a diferença para o Lewis, e a sorte grande para o George, mas não vejo grandes vencedores. Agora, alguém como Alonso e Bottas fora do top 10 realmente parece ter saído perdendo.

Como os ingleses digeriram o primeiro pódio de George Russel na categoria: festa ou tristeza pela falta de corrida?

– Infelizmente, seu primeiro pódio não vai ser tão lembrado pela performance no Treino Classificatório. Mesmo assim, foi muito bom vê-lo [em 2° lugar].

Russel celebra seu primeiro pódio da carreira na Fórmula 1, após cravar lugar na primeira fila durante o Qualifying — Foto: Mark Thompson / Getty Images

De que forma o paddock reagiu à corrida? Alguma chance de vermos alguma equipe se movimentando com intuito de reverter a entrega dos pontos?

– É complicado tirar pontos que já tenham sido entregues. Acho que [o GP] foi muito decepcionante, ainda mais depois de duas corridas excelentes [Inglaterra e Hungria]. Vai depender muito do Grande Prêmio desta semana. Se for um dos bons, tudo deve ser esquecido, e seguimos para Monza; se não, os comissários terão dores de cabeça.

É difícil fazer uma prévia mais segura já que não tivemos corrida depois do summer break, mas quais suas expectativas, no quesito performance, para a batalha entre Mercedes e Red Bull no Grande Prêmio da Holanda desta semana?

– Sinceramente, não farei a menor ideia até ver os carros no asfalto na sexta-feira (03). E isso é ótimo.

Qual impacto o domingo em Spa pode exercer sobre o fim de semana em Zandvoort? Podemos ver a direção de prova mudando o modo como lida com um possível chuva?

– Na última semana, tanto a pista quanto as condições climáticas eram variáveis. Não dá para comparar maçãs com laranjas. Esse é um circuito novo e o tempo pode estar diferente. Até onde sei, nenhuma mudança.

Toto Wolf, chefe de equipe da Mercedes, disse, na semana passada, que a equipe alemã já tomou sua decisão de quem será companheiro de Lewis Hamilton em 2022. Apesar disso, qual impacto a performance de Russel no Treino Classificatório de sábado pode ter nisso?

– Acho que todos sabemos que provavelmente o escolhido será George, então o resultado deste fim de semana só confirmou o que a Mercedes sabia quanto a ele.

Foi um final de semana complicado para Kimi Raikkonen – rodou na curva 1 e bateu seu C41 na entrada do pit lane durante o 1° Treino Livre e terminou o Qualifying dizendo que "foi um desastre do car****". Como está sua situação com a Alfa para 2022?

– Pelo que apurei, o assento pode ser dado ao Bottas, mas, até que os contratos estejam assinados, é impossível ter certeza de qualquer coisa.

Kimi, durante o Grande Prêmio da Bélgica; finlandês pode deixar a categoria ao fim do ano — Foto: Peter Fox / Getty Images

Ainda sobre o mercado de pilotos, ouvimos alguns rumores anunciando um possível retorno de Nico Hulkemberg à categoria. Quais são as chances de o vermos dirigindo um carro de Fórmula 1 no ano que vem? É possível afirmar algo antes de algumas movimentações pontuais, como de Bottas, Russel ou Kimi?

– Ele está tentando retornar à Fórmula 1, mas há claramente poucos assentos disponíveis. Apesar disso, a Williams pode estar procurando alguém ao fim da temporada.