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Com um a mais no 2° tempo, City não transforma pressão em gols e é derrotado em casa pelo Leeds

Atualizado: 29 de jul. de 2021

Citizens viram zagueiro Cooper ser expulso no começo da etapa final, mas sofrem dois gols de Stuart Dallas em bobeadas da defesa; Ferrán Torres fez para os donos da casa

Por Valentin Furlan — São Paulo

10/04/2021

Dallas celebra um de seus gols na vitória contra o Manchester City, no Etihad Stadium — Foto: Getty Images

Faltam 10 pontos para o Manchester City concretizar o terceiro Campeonato Inglês em um espaço de quatro anos. Mas a manhã de sábado no Etihad Stadium se mostrou simplesmente improdutiva para a equipe de Pep Guardiola. Stuart Dallas foi o carrasco do City, em Manchester, e marcou duas vezes na vitória do Leeds por 2 a 1. Ainda faltam sete jogos para o fim do campeonato, e o clube, sim, será campeão, mas o confronto entre dois dos maiores treinadores do esporte não deixou a desejar.

O primeiro tempo morno, com poucas chances, terminou em surpreendente 1 a 0 para os visitantes, com um gol de Stuart Dallas, aos 41 minutos de jogo, quando a trave empurrou a bola, caprichosamente, para o lado oposto da meta de Ederson. O atacante abriu o placar com um chute de fora da área, concretizando a liderança do time no quesito em toda a liga: o Leeds é o clube com mais gols anotados de fora da área grande nesta temporada.

Contudo, o que era pra ser um primeiro tempo satisfatório para o lado de West Yorkshire, acabou terminando em susto. O zagueiro Liam Cooper foi expulso, após uma entrada forte em Gabriel Jesus. O atacante brasileiro vinha com a bola e foi acertado em sua perna direita, na altura do joelho, em lance que poderia ter terminado muito mal para o camisa 9. No fim, nada além da pancada feia e um singelo cartão vermelho para o defensor, após Andre Marriner ser indicado pelo assistente de vídeo a rever o lance na beira do campo e repensar o cartão amarelo antes mostrado.

E, obviamente, a decisão mudou a história do jogo.

A vitória parcial já poderia ser desculpa aceitável para Marcelo Bielsa, que substituiu o artilheiro do time na temporada, Bamford, por Struijk, abandonar as linhas altas antes vistas, durante o primeiro tempo. O City respondeu com Gündogan repondo Nathan Aké, que voltava aos gramados após muito tempo parado - última partida havia sido no Boxing Day.

E, no decorrer da segunda etapa, Manhcester se mostrou, mais uma vez, com dificuldades para cutucar o time recuado. Bielsa de fato estacionou o ônibus. O jogo do time de Pep Guardiola virou handebol: rodar a bola ao redor da área do Leeds. Com raros momentos de jogadas trabalhadas, ou o time chutava perigosamente de fora da área - aos 25 minutos, todos os jogadores de linha dos donos da casa já haviam testado o pé -, o que, por si só, é uma virtude -, mas apostando muito nos 'chuveirinhos'. Dificilmente conseguia jogadas em velocidade com Sterling, Ferrán Torres, Bernardo Silva ou Phil Foden. Ponto para o Leeds de Bielsa.

Mas o que clichê voltou a atacar e a qualidade técnica individual decidiu. Fernandinho avançou ao campo de ataque e rolou para Gündogan. O alemão sequer dominou a bola e, de primeira, triangulou com Ferrán Torres, que bateu bonito, chute seco, no cantinho do goleiro Meslier. E, mesmo com o empate, o jogo petulante dos donos da casa, abusando das bolas aéreas, e a aposta na desfalcada, ainda que boa, defesa de Marcelo Bielsa seguiram.

Ferrán Torres, no momento em que deixava tudo igual no placar — Foto: Getty Images

Justamente em uma tentativa de bola enfiada Phil Foden teve passe interceptado, que ocasionou em contra-ataque fulminante de Élder Costa. Na cara do gol, tentou driblar Ederson, mas acabou sendo desarmado pelo goleiro brasileiro. Seria a chance perdida mais clara de todo o segundo tempo.

"Contra esses times, você não tem muitas chances. Então quando consegue furar o bloqueio, tem que ser clínico", disse Dallas, após a bola parar de rolar. E isso resume perfeitamente a partida: um jogo definido nos detalhes. E, como Guardiola lamentou após o apito final, deixar o Leeds "correr" era perigoso.

Assim, após tanto ter a bola e pouco produzir, o castigo veio para o City: assim como no primeiro tempo, a única finalização do Leeds na etapa terminaria em gol de Stuart Dallas, que não bobeou na cara do gol, já nos acréscimos. E, assim como as tantas histórias que o futebol nos conta, a lição que sempre recebemos é a de que não existe ataque que vença partidas senão aquele goleador. Aquele artilheiro. E o time misto do City foi incompetente, enquanto o Leeds de Marcelo Bielsa mostrou que a conversão de chances, ainda que em muito menor número, traz dádivas. E a dádiva veio em forma de três pontos, na casa do líder do campeonato.