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Análise: no duelo dos ataques, defesas viram fator decisivo no Beira-Rio

  • Atlético controla o jogo, mas peca no momento de decisão

  • Longe de ser ofensivo, Inter vence por 1 a 0 e dorme na liderança


Por Valentin Furlan — Porto Alegre, Brasil


Elenco do Internacional celebrando gol de Thiago Galhardo — Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Se os conterrâneos Eduardo Coudet e Jorge Sampaoli são conhecidos por mandar suas equipes a campo com esquema de jogo "alto", forçando o erro adversário e buscando sufocar o rival no primeiro terço do campo - além, claro, dos clássicos gritos energéticos em espanhol -, as defesas foram os verdadeiros fiéis da balança na partida deste sábado (22), que acabou em 1 a 0 para o Inter, com gol de Thiago Galhardo logo aos sete minutos de bola rolando.


A vitória colorada depois dos 90 minutos logicamente será muito celebrada. E não é para menos. Foi a maior partida do Nacional até agora, valendo liderança parcial e duelo direto entre duas equipes com comandantes que buscam revolucionar o cenário do futebol brasileiro. Mesmo assim, o que foi visto em Porto Alegre foi longe de um time revolucionário: um Internacional que aproveitou a única chance que teve - nem a linha de cinco defensores foi capaz de evitar a penetração de Thiago Galhardo, que recebeu passe de Patrick para abrir o placar na cara do gol - e que abdicou da posse da bola no decorrer da partida.


Antes do apito inicial, a entrada de Marcos Guilherme no lugar do suspenso William Pottker surpreendeu. Sem Yuri Alberto, favorito para assumir a vaga do atacante, a impressão que se deu foi de que Coudet buscava aproveitar os espaços laterais deixados pelo Atlético conforme avançava ao terço ofensivo - espaços, estes, que castigaram o time mineiro na última quarta (19), na derrota para o Botafogo. Contudo, não foi o que se passou. Mesmo após um primeiro tempo inteiro com 100% do foco sulista voltado a fechar a casinha, Coudet sacou Marcos Guilherme (o mesmo que prometia velocidade nos contra-golpes, ao início da partida) e mandou Musto ao gramado, na etapa complementar.


Treinador colorado "fechou a casinha" no segundo tempo — Foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Com Musto e Rodrigo Lindoso, era óbvio o intenso decréscimo de pontos de mobilidade na meiuca e a completa renúncia aos investimentos de ataque. Assim, da mesma forma que a maior parte do tempo primeiro, o Atlético foi o dono das ações, mas pecou nas finalizações. Sem maiores trabalhos, Marcelo Lomba saiu de campo com o uniforme pronto para a próxima partida - a tia da lavanderia agradece!


Do lado de Minas, faltou ímpeto ao Atlético. Apesar de a linha de três zagueiros ser promissora e, fora falha pontual no gol, ter de fato evitado problemas lá atrás, os laterais atleticanos, que deveriam ser mais acionados pelo novo esquema de jogo, acabaram não se apresentando, com raras e medíocres passagens, sem velocidade.


No final das contas, o maior ponto positivo para os alvinegros foi a estreia de Sasha que, já acostumado com o esquema de Sampaoli, se apresentou muito ao jogo no segundo tempo. Mas uma andorinha só não faz verão. Ainda mais no congelante Beira-Rio.