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5 anos do 7 a 1: o que mudou?

Atualizado: 28 de jul. de 2019

Maior vexame da história da seleção brasileira completa 5 anos nesta segunda-feira (08)


Julio César estático após tomar o 7° e último gol alemão na semifinal da Copa do Mundo de 2014 — Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

Mineirão lotado. Semifinal. Uma combinação que já está marcada na memória brasileira. 5 anos de brincadeiras e zoação não só de alemães, mas também de nós. No entanto, este acontecimento, hoje carregado levemente e com teor cômico, também deve ser levado a sério quando o assunto é o próprio futebol brasileiro. Vejamos as principais mudanças de lá pra cá:



Comando técnico:


Técnico Tite durante treinamento com a seleção, em 2016 — Foto: CBF

Talvez a principal mudança. Tite e seus auxiliares indubitavelmente mudaram a cara da nossa seleção. O técnico completou 3 anos no comando do Brasil, foi contratado no dia 20 de junho de 2016. A impressão passada, ao autor, pelo menos, é de um trabalho bem feito até então, com a recente conquista da Copa América. Entretanto, desde a Copa do Mundo na Rússia, apesar de ter caído pra poderosa 3ª colocada Bélgica, vimos alguns problemas táticos com o time brasileiro que, em sua maior parte, haviam sido resolvidos, é verdade, mas que algumas vezes se repetiram nesta Copa América. Jogamos sem Neymar, também é inquestionável, e devemos, de mesma forma, recordar e cometer a redundância de afirmar que estamos há apenas 5 anos do 7 a 1. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) ainda não conseguiu lidar com a crise em que se encontra, mas isso é assunto para para o próximo item. Tite tem que continuar no comando da seleção, muito embora tenha se queimado com parte da torcida e imprensa com convocações questionáveis. Os números também devem ser analisados: a defesa melhorou notoriamente, enquanto, no ataque, encontrou peças jovens com grande potencial. A seleção, no entanto, ainda se vê refém de Neymar para conquistas maiores. Dadas as circustâncias, foram de fato três bons primeiros anos para o nosso querido Adenor.



Comando político:


Rogério Caboclo, candidato único e indicado por Del Nero, foi eleito o novo presidente da CBF — Foto: Celso Pupo/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O maior desastre. Ainda mais se tratando de política brasileira, no século XXI. Para muitos, os verdadeiros culpados pela eliminação desastrosa para a Alemanha, em 2014. Não compartilho exatamente da mesma ideia, é impossível achar apenas um grupo culpado para tal vexame. É claro que tem extrema participação, visto que Dunga, outro (grande) culpado, não virou o comandante da seleção apenas porque quis. Como já citado, vivemos tempos difíceis na CBF. Pra quem simpatiza com Game Of Thrones, o inverno não está chegando, já chegou há um (bom) tempo. José Maria Marín e Marco Polo Del Nero representam muito bem a fase da confederação: o primeiro foi preso na Suíça, durante investigação do FBI e foi condenado à prisão em 2015 por... bem, são são seis acusações: conspiração para recebimento de dinheiro ilícito, conspiração para fraude relativa à Libertadores, conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Libertadores, conspiração para fraude relativa à Copa do Brasil, conspiração para fraude relativa à Copa América e conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Copa América, tendo recebido US$ 6,5 mi desde que assumiu a gestão da CBF. Ah! Ainda temos nosso benquisto e dileto Marco Polo. O cidadão em questão foi preso junto com Marín, na Suíça, e o antecessor de Marín, Ricardo Teixeira. Além de tudo isso, temos o recente desentendimento do ex-presidente da CBF, Antônio Nunes, que votou a favor da candidatura do Marrocos para o Copa de 2026, em vez da sede conjunta entre Estados Unidos, Canadá e México, depois de todos os membros da Conmebol e a própria CBF terem concordado em votar nos países norte-americanos. Nunes afirmou ter se tratado do fato de, diferentemente dos EUA e México, Marrocos ter jamais sediado um Mundial. Ele acabou não respondendo a pergunta sobre o porquê de se comprometer com a Conmebol em relação aos votos. É, Milton Leite, que fase!



Jogadores:


Seleção brasileira posando para foto antes da final da Copa América, contra o Peru — Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Dos titulares daquele jogo, apenas Neymar e Marcelo, teoricamente titulares, permanecem no time. Entretanto, vale ressaltar que, respectivamente, por motivo de lesão e de dar espaço à outros jogadores, ambos não participaram da competição continental. Em resumo, foi feita, sim, uma renovação. O maior problema está na defesa: Filipe Luís, o próprio Marcelo, Thiago Silva e Dani Alves são jogadores com mais de 30 anos e, por enquanto, não me vem à cabeça qualquer nome capaz de, imediatamente, substituí-los à altura. Mas é aquela coisa, há três anos e meio (período para a Copa do Catar), não conhecíamos Paquetá, Everton ou David Neres. Há muita coisa ainda pra rolar e confio no potencial das categorias de base dos times brasileiros, mas é algo a se ficar de olho. Falando nos clubes, é deles que se trata o próximo item.



Futebol no Brasil:



Carille é um dos bons técnicos dessa "nova geração" — Foto: Rodrigo Gazzanel/Corinthians

Visto na foto, não apenas Carille, é claro, mas ele é o que mais deu certo até então. Não entrarei em detalhes em relação ao modo de jogo "bonito", mas é o mais efetivo até agora. Também podemos citar André Jardine, das categorias de base são-paulinas (hoje comandante da seleção brasileira sub-20), Jair Ventura, "revelado" no Botafogo, Maurício Barbieri, ex-treinador do Flamengo, Thiago Largui, ex-técnico do Galo, Odair Hellmann, comandante do Internacional, Fernando Diniz, o "homem da posse bola", no Audax, Tiago Nunes, campeão sul-americano com o Athletico, Rogério Ceni, treinador campeão da série B, Campeonato Cearense e da Copa do Nordeste com pouco mais de um ano no comando do Fortaleza, entre outros. Repare que poucos obtiveram sucesso. Isso porque a mentalidade brasileira, por mais que doa afirmar, ainda é imediatista. Todo mundo já sabe disso e nunca é demais afirmar: não há tempo válido para que estes treinadores possam dar continuidade aos seus projetos, isso é inquestionável. Ou será que conseguiria citar o último "Alex Ferguson" no Brasil? Pois é. Nem eu.