Internet das Coisas? Que coisas?

Alexandre Alvaro


A tecnologia vem mudando dia após dia a forma como as pessoas se relacionam, fazem negócios e criam novas oportunidades. A internet foi um dos principais vetores desta revolução e vem alterando constantemente como a comunicação acontece. Nos primórdios, a comunicação era realizada através de pinturas, gestos, imitações e, assim, surgiram as primeiras palavras. A partir daí, e com o surgimento da Internet, passamos a enviar e-mail, nos comunicar através de canais de IRQ, depois o ICQ, o MSN, o WhatsApp, o Messenger, o Skypem dentre outros. E, assim como antigamente, outras forma de comunicação também estão sendo usados, como Blogs, Facebook, Twitter, Instagram, Pinterest, Snapchat, etc.

Através desta evolução continuada na comunicação, surgiu a necessidade das pessoas interagirem com os mais diversos objetos de seu dia a dia, tanto para capturar dados como para atuar nos ambientes. Esta conexão de objetos inanimados com a internet se dá o nome de Internet das Coisas (IoT – Internet of Things). E esta nova forma de comunicação, desta vez entre pessoas e objetos (ou entre objetos) veio para ficar. Desde ambientes com sensores de presença que ativam uma luz ou um ar-condicionado até a comunicação inteligente entre todas os itens de um galpão de logística com o operador (ou um robô) que irá selecionar os itens que precisam ser despachos.

Diversos são os exemplos de como a Internet das Coisas permeia o dia a dia das pessoas sem ao menos perceberem. As vacas em uma fazenda produzem uma série de informações relevantes em tempo real para seus criadores como forma de monitorar seu comportamento e interferir caso alguma coisa esteja fora de controle. Isso se dá o nome de Internet das Vacas.

Atletas de alta performance, seja de futebol, basquetebol, voleibol, rúgbi, futebol americano, dentre outros, são monitorados em tempo real durante os treinos e os jogos oficiais como forma de personalizar o condicionamento físico, recuperação física, direcionar a atuação técnica e tática para cada atleta. Isso se dá o nome da Internet dos Atletas.

O agronegócio vem passando por uma transformação grande nos últimos tempos e a Internet das Coisas vem auxiliando o monitorando de culturas (através de sensores como temperatura, umidade, pesticidas) bem como no monitorando de equipamentos de irrigação, por exemplo, os pivôs centrais de irrigação como forma de gerenciar todas as culturas de uma fazenda na palma da mão do gestor. Isso se dá o nome de Internet no Agronegócio.

Os atuais brinquedos existentes (pelúcia, bonecas, carros etc) estão migrando para um formato mais inteligente e conectado para que se torne mais atrativos para essa nova geração de crianças cada vez mais conectada ao mundo de tecnologia. Isso se dá o nome de Internet dos Brinquedos.

Em uma linha de produção inteligente, seja para produção de um carro, um notebook ou uma geladeira, as peças são conectadas a sensores como forma de garantir que, ao final de linha, o produto contenha todas as peças que foram especificadas e que estão conectadas de acordo com o projeto especificado. Isto se dá o nome de Indústria 4.0, que veio pelo advento da Internet das Coisas.

A medida que as “coisas” se conectam a internet teremos uma gama de sensores, para coletar dados do local, e atuadores, para atuar no local, trabalhando para a construção de ambientes inteligentes. E a iteração entre pessoas e objetos (e objetos com objetos) está trazendo uma nova revolução na forma como a comunicação acontece (e vai continuar acontecendo). Agora imagine você leitor no centro de todas estas “coisas” conectadas e atuando como gestor da comunicação entre elas. Você está preparado para o futuro das coisas inteligentes?

Alexandre Alvaro é professor do Departamento de Computação (DComp) da UFSCar Sorocaba –alvaro@ufscar.br

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